Posts de Outubro, 2008

Enfim, aconteceu o que temia: respondi ao Ednot

31/10/2008

Pronto. Fiz. Foi distração. Mas um dia isso ia acabar acontecendo. Chega release. Reconheço o nome do assessor. Faço uma piada com referência à cobertura onde nos conhecemos e mando um “responder a todos”. Foi para o mailing completo dele, incluindo o ednot inteiro. Não devem ter entendido a piada, mas ficou bem claro que me falta um parafuso.

 

Minutos depois, ao telefone, colega ao lado diz para assessora “ai, pára aí, pára aí, o telefone que passei para você dar o retorno é o da minha casa”.

 

É bom saber que não estou sozinha.

Gaúcho bate como mocinha?

30/10/2008

Colega correspondente de um jornal do centro do país, que mora aqui em POA há uns 8 ou 9 meses, apanhou de assessores de um dos candidatos no dia da votação. Liguei para saber se ele estava bem: “Tô bem, minha flor. Gaúcho bate que nem mocinha. Já tive namoradas mais incisivas. Lembra da (…… ) ? Pois é, era mais brava que eles.” Ri e não espichei conversa. Ele parecia apressado em encerrar o assunto. Aguardo ansiosa por nosso próximo almoço. Tenho dúvidas se ele estava brincando e qual parte era brincadeira.

A Claro vai me pagar para eu ter celular?

28/10/2008

Adoro aquelas piadas íntimas. Quando eu faço graça para eu mesma rir, como o caso do photoshop. Mas nesta de hoje eu queria platéia. Havia cinco pessoas em volta, mas a TV estava alta e a colega do lado entrevistava o que imagino ser um deficiente auditivo (única justificativa para ela estar aos gritos).
Então só me resta compartilhar por aqui:

oi, com quem eu falo? boa tarde, senhora liana, aqui é a fulana, consultora de relacionamentos da Claro. Estamos ligando para lhe oferecer um plano especial, correto? Que começa com uma bonificação de tantos reais, a senhora ganha um aparelho de graça e ainda… (corte) 

Olha, fulana, deixa eu te explicar desde já: esse celular pra que tu ligou é empresarial. Eu não pago um centavo por esta conta. Então, a menos que a Claro vá me oferecer dinheiro para eu ter um celular de vocês, para mim é prejuízo trocar este celular da Vivo por qualquer plano da Claro.

Correto, senhora Liana. Obrigada pela sua atenção. Tenha uma boa tarde

OBS: a empresa é a Unimed da minha cidade natal, que tem um bônus-convênio bacana para os médicos, e meus pais, muy graciosamente, patrocinam meu celular.

‘I will survive’ versão macho & guilty pleasures

27/10/2008

A primeira confissão de guilty pleasure foi aos 15 ou 16 anos, para um amigo que tocava violino (ou violoncelo. Nunca vi o instrumento e, apesar dos distintos tamanhos, sempre me confundi). “Cara, tem uma coisa que eu preciso contar para alguém…. eu gosto de Arrigo Barnabé”. Ele gargalhou, humilhou meu gosto musical, disse que só faltava eu querer ir num show da Rosana (lembram, a deusa?). Mas depois de uns dias de tortura, me deu uma fita K7 com “Clara Crocodilo”. Hoje me deparei com uma versão do Cake para “I will survive”, linda, e entrei num momento “no guilt”. Vou confessar coisas inconfessáveis.

 

Adoro Stephen King

Gosto de Marian Keyes

De Juremir Machado da Silva
De bienais de arte contemporânea (sim, sim, até de vídeo-instalações)

De Lichtenstein
Das músicas mais bregas do Leonard Cohen

Morro de inveja de María Kodama, Françoise Gilot e Gala Dalí

E, já que para me humilhar mesmo, admito que gosto de ver aquele maluco que corre só de calção preto pelas madrugadas no Moinhos de Vento.

Acho que ele é bonito. E hétero.

Rapaz de 45 tem ataque de loucura

24/10/2008

Fui 8 anos editora de Polícia, tempo para desenvolver um gosto refinado e diferenciar bons repórteres e bons repórteres de polícia. Uma vez, cheguei ao jornal e o novo colega me antecipou que o dia estava fraco. “Nada mesmo?”, insisti. “Só uma sogra que deu um tiro na nuca da nora de 17 anos lá em Viamão”, disse, quase bocejando.  Como meu manual de redação veta agressão no local de trabalho, só o ameacei de arrancar as duas orelhas. Correu para o hospital onde a menina estava e saiu fisicamente ileso do confronto editorial, mas foi alvo de patadas por uma semana. Até que a pauteira pediu “tu ainda está brava, né? Mas pega leve, o guri é novo”.


Hoje, tenho um correspondente que é repórter-de-polícia, assim, substantivo composto. Teve a honra de ser ameaçado pelo PCC. É um grande repórter, mas um redator no mínimo incomum. Olha o lead:

Um crime trágico movimenta nesta manhã a cidade de Franca, no interior de São Paulo, e já deixa o município em choque. As primeiras informações divulgadas pela polícia apontam que um rapaz de 45 anos teria tido um ataque de loucura dentro da própria casa na Rua Ouvidor Freira, no Centro. O motivo não foi informado. Armado com um revólver, ele matou a mãe, baleou a esposa, os três filhos e, depois, se matou.

 Meu título: Tresloucado, rapaz de 45 anos mata mãe, atira na família e se suicida

 

ERRAMOS: Repórter 1 corrige: foi em Guaíba, não Viamão. Lembrei também que um dia antes de ser morta pela sogra, a menina apanhou do namorado. Gente da estirpe do Lindemberg.

“Tarado” por limpeza

22/10/2008

Dentro do espírito “limpeza” do post anterior, cabe esta notícia:

Lavador de carros é preso por sexo com aspirador

Pode-se dizer que esse cara é um tarado por higiene? É lavador (profissão de gente limpinha) e tem uma fissura pelo instrumento de trabalho.

Para que tanta limpeza se já está limpo?

21/10/2008

Senhora da limpeza número 1 está sempre aqui quando chego de manhã. Com aqueles produtos com cheiro forte para passar nas mesas. Senhora da limpeza número 2 sempre vem depois do almoço, com aqueles produtos com cheiro mais forte para passar no chão. De tardezinha, vem a senhora da limpeza número 3. Diabo, o que tanto têm para limpar? Não dá para fazer tudo de uma vez só ou com produtos inodoros? Isso que somos limpinhos, ordeiros e não comemos nem bebemos no local de trabalho. Imagina essas senhoras trabalhando num bar, iam esfregar o pano até no rosto dos clientes.

Nudez, sofrimento, sangue e muita phinesa

16/10/2008

Um amigo pediu um desenho para o cabeçalho do blog phino dele. Disse: quero sofrimento, nudez, banheira, sangue e champanhe. A bebida ficou de fora, não coube no formato tão horizontal. Me inspirei no Morte de Marat, do Davi (desculpem a blasfêmia, mas foi isso mesmo). Levei um mês fazendo e desfazendo o desenho. Tentei até o fotoxópi, mas o meu crítico vetou: “o bom do teu desenho é o teu traço tortinho”. Não tive tempo de colocar sombra, luz e profundidade, mas o amigo quis usar mesmo assim. E teve leitores dele que elogiaram! Hoje me sinto realizada, uma desenhista incompleta, tortinha, mas phina.

Cada uma que a gente tem que agüentar…

15/10/2008

Tá bem que o correspondente estava mandando só uma sugestão de pauta, mas precisava escrever no estilo “Diarinho”? Isso sem entrar no mérito “como é que você sabe que foi assim que aconteceu?”,

 

“Marido broxa e desconta na mulher” – Um cara foi transar com a esposa ontem à noite, brochou pq ela ficava pentelhando sobre divórcio, aí ficou nervoso e começou a espancar a mulher. Ela tb deu uns tabefes e os dois foram para a delegacia. Ele ficou preso.

Não saio de casa sem meu Photoshop

14/10/2008

Shopping. Passo na frente de loja que imprime/revela foto e uma garota salta com um folhetinho na mão:
- Estamos fazendo uma promoção gratuita para promover e demonstrar a qualidade do nosso serviço de estúdio e tratamento de imagem. Vamos estar oferecendo uma produção completa, maquiagem, cabelo, e a foto no formato 15 por 20 de presente. Com tratamento de Photoshop incluído!

- Por que Photoshop?

- Bem, o estúdio também tem esse serviço de tratamento de imagem. O Photoshop é um programa para melhorar a imagem.

- E tu acha que eu preciso melhorar a minha imagem?

- Não…. não é isso. É para corrigir… assim… a luz… a cor….

- Só a luz e a cor?

- Errr… bem.. e corrigir alguma outra coisa….

- E tu acha que eu preciso do Photoshop para corrigir alguma coisa?

Ela ficou sem resposta, coitadinha. Olhava para mim e piscava rápido. Deu pena, peguei o folheto, disse que estava brincando e segui adiante. Foi divertido. Pelo menos até passar por um espelho e pensar na última pergunta que eu fiz à garota.

bj e amor de madrugada? Não, obrigada

10/10/2008

Problema: despertador do meu celular trava se recebo torpedo e não leio (sim, absurdo)

Fato 1: 3h55 torpedo me acorda. Olho para destravar o despertado. Amigo-jornalista que mora em outra cidade pedindo: “me manda bj?”. Eu respondo “bj” e volto a dormir pensando ter encerrado o assunto
Fato 2: 4h28 chega réplica: “Amor”, ele respondeu em agradecimento ao meu “bj”

Solução: compro hoje mesmo um despertador de pilha

Não foi eleito e veio trabalhar na redação

09/10/2008

Por um punhado de jujubas

09/10/2008

Sabe aquele dia que tu está tão tão tão cansado que aceitaria qualquer oferta para poder parar? Pois é, hoje eu iria por uma rapadura e um litro de grapete. Diet, por gentileza.

Sem dinheiro, nem Cristo se elege

08/10/2008

Repórter entrevistando pelo telefone. O resto da redação atenta, segurando para não rir alto. Ela quer um título, ela quer um lead, e vai tirar do homem de qualquer maneira:


Por que o senhor se identifica como Cristo da Jerusalém?

O senhor quer dizer que sem dinheiro não se elege? Quer dizer que sem dinheiro, nem Cristo se elege em Roraima?

Então tá, o senhor está querendo dizer que sem dinheiro não dá para comprar voto? É isso? Me diga?

Ninguém reclamou da imagem que o senhor usou na campanha? Nãããão?

O que deu errado então?

O senhor não acha que foi uma praga divina?

Então tá, seu Jesus, obrigada pela entrevista.

 

Puxei uma salva de palma assim que ela desligou. Garota de fibra.

Rapidinhas da eleição

07/10/2008

Na pressa
Nosso cinegrafista que estava acompanhando o Kassab, apressado, entrega a fita da cobertura para o motoboy da Band. O motoboy levou voando, mas a produção da Band devolveu.

Produtor e segurança se atracam
Repórter que acompanhou o Kassab conta que o pior momento do dia foi no comitê, de noite, depois do discurso: “toda a imprensa e a militância avançou sobre ele no palco. Teve gente caindo, senhoras desmaiando… um caos. o produtor do CQC saiu na mão com o segurança do prefeito e o Rafinha separou.”

Briga anunciada
Repórter que acompanhou a Marta me conta que ele próprio quase saiu no braço com um cinegrafista de 2 metros que estava ameaçando bater nos repórteres que não saíssem da frente. O colega, não muito maior que eu, armado apenas do microfone. Aconselhei que, ao invés de bater no cinegrafista, atacasse a câmera. O equipamento é uma fortuna e o cara ia preferir apanhar do que dar explicação na emissora.